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Novo Presidente evocou Miguel Torga

A tomada de posse dos novos membros dos órgãos sociais da AAEC decorreu no Auditório da Reitoria da Universidade no dia 8 do passado mês de Janeiro, em cerimónia que contou com elevado número de participantes.

Presidiu o Vice-Reitor Prof. Doutor Calvão da Silva, em representação do Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra.

Na assistência, entre outras entidades, o Vice-Reitorda UC, Prof. Doutor Alfredo Dias, os Directores das Faculdades de Economia e de Psicologia e Ciências da Educação da UC, o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Dr. Carlos Cidade, o Presidente do Turismo do Centro, Dr. Pedro Machado, o Presidente da Coimbra Business School / ISCAC, Prof. Pedro Costa, e o Vice-Presidente daquela escola, Prof. Sandinha Serra, o Presidente do ISEC, Prof. Mário Velindro, a Directora-Adjunta da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Dr.ª Luísa Sousa Machado, o Presidente da Associação Académica de Coimbra, João Assunção, e os Vice-Presidentes da AAC, o Dux-Veteranorum, Matias Correia, o Presidente da AAEC do Porto, Eng. Amaro Correia, e, a representar a AAEC de Lisboa, o Juiz Conselheiro Jubilado Dionísio Alves Correia.

Começou por usar da palavra o reeleito Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Prof. Doutor João Gabriel Silva, que foi chamando e dando posse aos diversos membros dos órgãos sociais.

Falou depois o Presidente cessante, o Juiz Jubilado Américo Santos, que se congratulou com o brilho que a cerimónia estava a ter, afirmou que a AAEC ficava em muito boas mãos e, simbolicamente, entregou a chave da sede ao novo Presidente.

 

INTERVENÇÃO DO NOVO PRESIDENTE

A seguir transcrevemos o discurso do novo Presidente, Jorge Castilho:

“Sou, há mais de meio século, um operário da palavra escrita. Por isso a ela recorro quando, como agora, pretendo não me alongar demasiado, tentando não ser maçador.

Quero, ante de mais, agradecer ao Ex.mo Sr. Vice-Reitor Prof. Doutor Calvão da Silva, em representação do Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, por nos honrar com a sua presença e por presidir a esta cerimónia. Mas também pela grande atenção que vem dispensando a todos os antigos alunos da Universidade de Coimbra e pela dinâmica que tem sabido imprimir à Rede Alumni. Muito obrigado!

A minha imensa gratidão também a quantos se dignaram distinguir-nos hoje com a sua presença, num fim de tarde em que a pandemia e o frio desaconselham a saída à rua. A todos, em meu nome e em nome dos restantes empossados, o nosso sincero e profundo reconhecimento!

Sou um crente nas muitas virtudes do movimento associativo.

E acredito nelas de forma consequente, como demonstra o facto de pertencer a diversas associações, como simples associado, mas também como dirigente de algumas, que passo a citar: sou Director da Associação Portuguesa de Imprensa, em Lisboa, sou Vice-Presidente da Alliance Française de Coimbra, sou Presidente da Mesa da Assembleia Geral da APPACDM de Coimbra, faço parte dos órgãos dirigentes do Clube da Comunicação Social, sou Past-President do Rotary Clube de Coimbra-Olivais.

A primeira Associação de que me tornei sócio, ainda adolescente, foi a Académica. Cheguei a ser praticante da Secção de Basquetebol e continua a ser o único clube de futebol de que sou adepto.

Algum tempo depois, os ventos da História empurraram-me para longe, e inscrevi-me na Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra em Angola, quando para ali fui mobilizado para a guerra colonial.

Nos mais de 2 anos que passei naquela antiga colónia, apaixonei-me por África e aprendi, entre muitas outras coisas, a sabedoria de um velho provérbio africano, que sintetiza, de forma perfeita, o espírito do associativismo, da camaradagem, da solidariedade. Reza assim: “Se queres ir depressa, vai sozinho, mas se queres ir longe, vai acompanhado”.

Como quero ir longe, levando o testemunho que agora me transmitiram, quando fui desafiado para me candidatar a este cargo resolvi sondar alguns amigos, para ver da sua disponibilidade para me acompanharem na exigente empreitada.

E a verdade é que todos os que contactei, imediatamente aceitaram partilhar comigo este desafio – numa desvanecedora prova de confiança em mim, mas também, seguramente, de respeito pela AAEC.

Ou seja, nenhum dos elementos que compõem estes Órgãos Sociais é uma segunda escolha. E todos eles são de primeira qualidade, unanimemente reconhecida.

Sem que tal haja sido premeditado, a Direcção agora empossada é exemplar no peso da sua vertente feminina: 4 dos 7 elementos efectivos da Direcção são Mulheres. Uma vantagem em termos de sensibilidade, de polivalência e de capacidade de trabalho.

Os corpos sociais reflectem a diversidade da Academia, no que toca às áreas profissionais dos 30 elementos que a compõem, mas também no que respeita ao seu deliberado espírito inter-geracional: temos dois dos nossos membros com mais de 90 anos – e que são os de espírito mais juvenil entre todos nós. Mas também temos outros que pouco ultrapassam os 30 anos. Um caldo de experiência e de entusiasmo que funcionará como uma espécie de poção mágica das histórias do Astérix, tornando-nos invencíveis perante as adversidades.

São várias as batalhas que vamos ter de travar, e para elas conto com o empenho de todos, incluindo os que agora aparecem como suplentes (por limitação estatutária), mas que certamente nos concederão, de forma efectiva, o generoso contributo do seu saber e do seu trabalho.

Como levaria muito tempo tecer aqui agradecimentos individuais a todo os integrantes da lista eleita, opto por manifestar a minha gratidão aos Presidentes de cada um dos órgãos – e nesse agradecimento envolver, como é de justiça, todos os restantes.

Assim, agradeço ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Prof. Dr. João Gabriel Silva. Agradeço ao Presidente do Conselho Fiscal, Dr. Pinto Castanheira. Agradeço à Vice-Presidente da Direcção, a incansável Dr.ª Aurora Branquinho. E um agradecimento muito especial ao mais veterano, mas também ao de espírito mais jovem e entusiasta de todos nós, o Prof. Doutor Polybio Serra e Silva, meu médico desde os tempos de criança – e grande responsável por eu estar aqui neste momento.

Um agradecimento também para a dedicada colaboradora da Associação, desde há muitos anos, e minha velha Amiga, Ana Maria Côrte-Real.

Para cada um de vós, um bem-haja muito sentido!

 

HONRA E RESPONSABILIDADE

Ter sido eleito para presidir à Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra é uma subida honra e um raro privilégio. Mas também uma enormíssima responsabilidade!

Ao longo das seis décadas que leva de existência, a Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra tem sido dirigida por destacadas personalidades do mundo académico e por relevantes vultos dos mais diversos sectores da vida nacional, que me habituei a admirar.

Não vou citá-los todos, porque são mesmo muitos!

Limito-me a referir os Presidentes da Direcção que conheci mais de perto: o primeiro foi Júlio Condorcet Pais Mamede, em 1959, ano da fundação. Depois José de Barros Neves, Renato Trincão, José Perestrelo Botelheiro, Carlos de Figueiredo Nunes (um dos maiores Amigos de meu Pai), Frederico de Almeida Baptista, André Campos Neves, Aníbal Pinto de Castro, Carlos Sá Furtado, Anselmo Carvalhas. Já neste século, Fernando Regateiro, Augusto Roxo, Américo Santos.

A este último, e aos restantes membros dos órgãos sociais cessantes, quero fazer público agradecimento pela forma como enfrentaram os últimos difíceis anos. Primeiro, uma mudança de instalações, sempre atribulada. Depois a inesperada pandemia, que impediu a concretização de quase todas as actividades programadas. Apesar disso, a AAEC resistiu e aqui está disposta a continuar um caminho iniciado há quase 62 anos.

Quando foi fundada, em 9 de Maio de 1959, esta instituição de utilidade pública já sublinhava, nos respectivos estatutos, ser “absolutamente estranha a questões políticas e religiosas” e prosseguir “fins culturais, filantrópicos e recreativos”.

Pois assim se mantém!

É este o mapa onde está traçado o rumo que nos propomos seguir, através do programa que apresentámos a sufrágio, sob o lema “Honrar o passado, construir o futuro”, e cujas linhas gerais sintetizo nos seguintes pontos: atrair novos Associados, proporcionar regalias aos Sócios, promover iniciativas culturais, desportivas e recreativas, estreitar relações com a Universidade e com as instituições congéneres, dar visibilidade à AAEC, à Academia e à Universidade de Coimbra, preservar o património material e imaterial da AAEC. Em suma, pautar toda a actividade da AAEC por rigorosos princípios éticos, sempre com a preocupação de honrar o passado, mas também de construir um futuro que seja motivo de orgulho.

Sei que é um programa ambicioso, ainda para mais numa época com tantos e tão inesperados condicionalismos. Mas estou convencido de que, com criatividade, dedicação e muito trabalho, conseguiremos ir honrando o nosso lema.

 

EVOCAÇÃO DE MIGUEL TORGA

“Quem faz o que pode, faz o que deve” – dizia-me um antigo estudante de Coimbra, de quem tive o privilégio de ser amigo, e a cujos avisados conselhos muitas vezes recorri em momentos de decisões difíceis.

Era médico, chamava-se Adolfo Correia da Rocha, mas ficou mais conhecido como grande poeta e escritor, com o pseudónimo de Miguel Torga.

O compromisso que aqui assumo é o de fazer, pela AAEC, o que me for possível.

E não me ocorre melhor forma de concluir esta minha intervenção, do que ler-vos um dos poemas de Torga que mais aprecio, e que bem pode simbolizar a aventura que eu, e mais três dezenas de antigos estudantes, ousamos iniciar hoje:

Recomeça…

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo

Ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar

E vendo,

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças…”.

 

VICE-REITOR PROF. CALVÃO DA SILVA

SUBLINHA IMPORTÂNCIA DOS ANTIGOS ESTUDANTES

Usou por último da palavra o Vice-Reitor, Prof. Dr. Calvão da Silva, que se congratulou com o elevado número de participantes e, entre estes, as diversas entidades presentes, sublinhando que isso era demonstração do apreço pelos novos dirigentes da AAEC.

Fez saudações especiais ao antigo Reitor e reeleito Presidente da MAG, Prof. João Gabriel Silva, ao antigo Vice-Reitor Poiares Baptista e ao reeleito Presidente do Conselho Geral, Prof. Polybio Serra e Silva-

Evocou a memória de familiares de alguns dos novos dirigentes, designadamente o Prof. António Robalo Cordeiro e os Drs. Fausto Correia e Alexandre Gouveia.

Sublinhou também a importância dos Antigos Alunos para levar longe o nome da Universidade de Coimbra e da própria cidade.

Teve palavras elogiosas para o novo Presidente da AAEC e reiterou a sua disponibilidade para ouvir os Antigos Estudantes e as suas Associações e apoiar as suas iniciativas dentro daquilo que for possível, em cada momento.

 

A CANÇÃO DE COIMBRA

E UM VIBRANTE FRA

A encerrar a sessão, assistiu-se a um momento sempre especial, preenchido pela canção de Coimbra.

Um quarteto de grande qualidade, com as vozes de Heitor Lopes e Nuno Oliveira, acompanhados à viola pelo veterano Humberto Matias, e à guitarra pelo jovem, mas já extraordinário executante que é Simão Mota.

Calorosos, e bem merecidos aplausos da assistência antecederam o ponto culminante, (e mais vibrante!) da cerimónia, com o reeleito Presidente do Conselho Geral, Prof. Polybio Serra e Silva, a lançar um entusiástico FRA, secundado por todos os participantes.

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